Mentale Saúde · Equipe Multidisciplinar

DISGRAF-M

Instrumento de Rastreio de Indicadores de Disgrafia em Contexto Escolar

Sobre o instrumento

O que é o DISGRAF-M

O DISGRAF-M é um instrumento de rastreio (triagem) de indicadores comportamentais e funcionais associados à disgrafia, desenvolvido para uso por professores, orientadores educacionais, psicopedagogos e equipes de apoio escolar. Ele foi construído a partir da convergência de critérios utilizados por diferentes especialidades — Psicologia, Psicopedagogia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Neuropsicologia — que compõem, em conjunto, o quadro de referência mais robusto para a observação da escrita manual na infância.

Rastreio, não diagnóstico. Este instrumento identifica a presença e a intensidade de indicadores compatíveis com dificuldades grafomotoras. Ele não substitui avaliação clínica formal, que deve envolver profissionais habilitados (neuropsicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicopedagogia clínica e, quando necessário, neurologia/psiquiatria infantil) e é condição para qualquer fechamento diagnóstico de Transtorno de Expressão Escrita (CID-11) ou disgrafia. Trata-se de um instrumento de rastreio construído por síntese de critérios clínicos, sem estudo de validação psicométrica (sensibilidade/especificidade) ou normas populacionais brasileiras.

Dimensões avaliadas

  • Legibilidade — formação, tamanho e consistência das letras
  • Fluência e Velocidade — ritmo, esforço e sustentação da escrita
  • Aspectos Motores — pegada, pressão e postura
  • Organização Espacial — margens, espaçamento e alinhamento
  • Aspectos Emocionais/Comportamentais — reações associadas à escrita
  • Aspectos Linguísticos/Ortográficos — erros persistentes associados

Ao final, o sistema gera automaticamente um relatório de rastreio por faixa de resultado e apoia a construção de três documentos de planejamento pedagógico: PEI, PDI e PAEE.

Orientações de aplicação

Como aplicar o instrumento

  1. Quem aplica: professor regente, orientador educacional, psicopedagogo escolar ou membro da equipe de apoio que acompanhe o estudante em situação de escrita há pelo menos 4 a 6 semanas.
  2. Faixa etária de referência: a partir do 2º ano do Ensino Fundamental (quando a alfabetização formal já foi introduzida), evitando-se falsos positivos por imaturidade grafomotora esperada em fases iniciais de aquisição da escrita.
  3. Base de observação: responda com base em observações recorrentes de produções espontâneas, cópia e ditado — não em um único episódio isolado.
  4. Escala: cada item é pontuado de 0 a 3, conforme a frequência com que o comportamento é observado.
  5. Tempo estimado: 15 a 20 minutos.
  6. Recomenda-se coletar 2 a 3 amostras recentes de escrita do estudante (cópia, ditado e produção espontânea) para consulta durante o preenchimento.

Escala de frequência

PontuaçãoFrequênciaDescrição
0NuncaO comportamento não é observado
1RaramenteObservado ocasionalmente, sem prejuízo perceptível
2FrequentementeObservado com regularidade, gerando algum prejuízo
3Sempre / Quase sempreObservado de forma consistente, com prejuízo evidente
Estudantes canhotos, em processo de troca de mão dominante, ou com histórico recente de imobilização/lesão em membro superior podem apresentar indicadores transitórios não relacionados à disgrafia. Considere esse contexto ao interpretar o resultado.
Identificação

Dados do estudante

Nenhum resultado calculado ainda. Preencha a avaliação na aba Avaliação e clique em "Calcular resultado".

Plano Educacional Individualizado

PEI

O PEI organiza, no nível da sala de aula regular, os objetivos pedagógicos, estratégias e adaptações voltadas a um estudante específico, com base nas dificuldades e potencialidades identificadas. Os campos abaixo são pré-preenchidos a partir do resultado do rastreio e podem ser editados livremente.

Plano de Desenvolvimento Individual

PDI

O PDI acompanha o desenvolvimento do estudante de forma longitudinal e multidimensional (cognitiva, motora, emocional e social), estabelecendo metas de médio e longo prazo e os responsáveis por cada frente de trabalho — escola, família e profissionais de saúde.

Plano de Atendimento Educacional Especializado

PAEE

O PAEE organiza o trabalho complementar realizado na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) ou por profissional de AEE, em conformidade com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, o Decreto nº 7.611/2011 e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015). Aplica-se quando o estudante possui elegibilidade para AEE conforme avaliação da equipe multiprofissional/pedagógica da rede de ensino.

Fundamentação

Base técnica e legal

  • Organização Mundial da Saúde — CID-11: Transtorno do Desenvolvimento da Expressão Escrita (6A03.1) e Transtorno de Coordenação Motora (6A04) como condições associadas.
  • American Psychiatric Association — DSM-5-TR: Transtorno Específico da Aprendizagem, com prejuízo na expressão escrita.
  • Lei nº 13.146/2015 — Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
  • Decreto nº 7.611/2011 — Dispõe sobre a educação especial e o Atendimento Educacional Especializado.
  • Resolução CNE/CEB nº 4/2009 — Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica.
  • Lei nº 14.254/2021 — Institui a Política Nacional de Rastreamento da Dislexia e outros Transtornos de Aprendizagem, referência metodológica para instrumentos de rastreio escolar como este.
  • Literatura de referência em grafomotricidade: Hamstra-Bletz & Blöte; Feder & Majnemer; contribuições da Terapia Ocupacional e Psicopedagogia para avaliação da escrita manual.
Este material foi elaborado pela equipe multidisciplinar da Mentale Saúde para uso escolar orientado. Referências citadas para fins de fundamentação técnica; consulte as fontes originais para aprofundamento.