O que é o DISPRAX-M
O DISPRAX-M é um instrumento de rastreio (triagem) de indicadores comportamentais e funcionais associados à dispraxia — também chamada de Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) — desenvolvido para uso por professores, orientadores educacionais, psicopedagogos e equipes de apoio escolar. Ele foi construído a partir da convergência de critérios utilizados por diferentes especialidades — Terapia Ocupacional, Psicologia, Fisioterapia, Psicopedagogia e Neuropsicologia — que compõem, em conjunto, o quadro de referência mais robusto para a observação da coordenação motora e do planejamento de movimentos na infância.
Dimensões avaliadas
- Coordenação Motora Grossa — corrida, salto, esportes, deslocamento no espaço
- Coordenação Motora Fina — manuseio de objetos pequenos, talheres, botões
- Planejamento e Sequenciamento Motor — aprendizagem e organização de novos movimentos
- Equilíbrio e Postura — estabilidade corporal e tônus muscular
- Autonomia na Vida Diária — rotinas de autocuidado e organização pessoal
- Aspectos Emocionais/Comportamentais — reações associadas às dificuldades motoras
Ao final, o sistema gera automaticamente um relatório de rastreio por faixa de resultado e apoia a construção de três documentos de planejamento pedagógico: PEI, PDI e PAEE.
Como aplicar o instrumento
- Quem aplica: professor regente, professor de Educação Física, orientador educacional, psicopedagogo escolar ou membro da equipe de apoio que acompanhe o estudante em diferentes contextos (sala de aula, pátio, quadra) há pelo menos 4 a 6 semanas.
- Faixa etária de referência: a partir dos 5 anos de idade, evitando-se falsos positivos por imaturidade motora esperada em fases muito iniciais do desenvolvimento.
- Base de observação: responda com base em observações recorrentes em múltiplos contextos (sala de aula, Educação Física, recreio, refeições) — não em um único episódio isolado.
- Escala: cada item é pontuado de 0 a 3, conforme a frequência com que o comportamento é observado.
- Tempo estimado: 15 a 20 minutos.
- Recomenda-se observar o estudante em pelo menos uma atividade de Educação Física ou recreio livre antes de preencher o instrumento.
Escala de frequência
| Pontuação | Frequência | Descrição |
|---|---|---|
| 0 | Nunca | O comportamento não é observado |
| 1 | Raramente | Observado ocasionalmente, sem prejuízo perceptível |
| 2 | Frequentemente | Observado com regularidade, gerando algum prejuízo |
| 3 | Sempre / Quase sempre | Observado de forma consistente, com prejuízo evidente |
Dados do estudante
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PEI
O PEI organiza, no nível da sala de aula regular, os objetivos pedagógicos, estratégias e adaptações voltadas a um estudante específico, com base nas dificuldades e potencialidades identificadas. Os campos abaixo são pré-preenchidos a partir do resultado do rastreio e podem ser editados livremente.
PDI
O PDI acompanha o desenvolvimento do estudante de forma longitudinal e multidimensional (motora, cognitiva, emocional e social), estabelecendo metas de médio e longo prazo e os responsáveis por cada frente de trabalho — escola, família e profissionais de saúde.
PAEE
O PAEE organiza o trabalho complementar realizado na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) ou por profissional de AEE, em conformidade com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, o Decreto nº 7.611/2011 e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015). Aplica-se quando o estudante possui elegibilidade para AEE conforme avaliação da equipe multiprofissional/pedagógica da rede de ensino.
Base técnica e legal
- Organização Mundial da Saúde — CID-11: Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (6A04).
- American Psychiatric Association — DSM-5-TR: Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (Developmental Coordination Disorder — DCD), caracterizado por aquisição e execução de habilidades motoras coordenadas abaixo do esperado para a idade.
- Lei nº 13.146/2015 — Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
- Decreto nº 7.611/2011 — Dispõe sobre a educação especial e o Atendimento Educacional Especializado.
- Resolução CNE/CEB nº 4/2009 — Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica.
- Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), como referência para articulação entre sala regular e AEE.
- Literatura de referência em coordenação motora do desenvolvimento: critérios da EACD (European Academy of Childhood Disability) e contribuições da Terapia Ocupacional e Fisioterapia para avaliação da praxia e do planejamento motor.